
A Volkswagen foi condenada a pagar US$ 30 milhões por danos morais após uma ação que determinou que a empresa usava trabalho escravo durante o período da ditadura militar no Brasil.
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O julgamento, que teve início em maio de 2025, se encerrou na última sexta-feira (29) quando a Vara do Trabalho de Redenção, no Pará, determinou que as condições de trabalho usadas pela empresa eram análogas à escravidão.
De acordo com a justiça, a multinacional alemã teria permitido que funcionários que atuavam na Fazenda Vale do Rio Cristalino, em Santana do Araguaia, no Pará, vivessem em condições degradantes no período entre 1974 e 1986.
A fazenda, que era de propriedade da Volkswagen por meio de uma subsidiária, era utilizada para criação de gado e exploração madeireira e contava com mais de 300 funcionários, contratados de forma ilícita para preparar o pasto e limpar a floresta.
Os trabalhadores eram monitorados por guardas armados, viviam em moradias precárias, recebiam alimentação insuficiente e eram forçados a permanecer na fazenda sob um sistema de servidão por dívida. Além disso, não havia assistência médica, mesmo para aqueles que contraíram malária.
“As provas dos autos demonstram que a empresa Volkswagen do Brasil não apenas investiu na Companhia Vale do Rio Cristalino, como também participou ativamente de sua condução estratégica, beneficiando-se diretamente da exploração ilícita da mão de obra”, explicou o juiz Otavio Bruno da Silva Ferreira, da Vara do Trabalho de Redenção, de acordo com o g1.
A Volkswagen do Brasil informou em um comunicado que irá recorrer da decisão. A empresa afirmou que, em seus 72 anos de atuação no Brasil, “defendeu consistentemente os princípios da dignidade humana e cumpriu rigorosamente todas as leis e regulamentos trabalhistas aplicáveis”.
“A Volkswagen reafirma seu compromisso inabalável com a responsabilidade social, que está intrinsecamente ligada à sua conduta como pessoa jurídica e empregadora”, afirmou a empresa na nota compartilhada com a Agência Brasil.
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